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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Arcade in dowtown




Há pelo menos uns 10 anos que eu não jogo num fliper...


Me toquei deste fato alarmante quando na semana passada fui ao centro da cidade e tive uma overdose de lembranças da época em que eu era assíduo nesta arte. Sim, arte! Porque uma coisa é você ser jogador de console, no conforto de sua casa, com comidinha e sem precisar esperar sua vez ou fugir de alguém... e outra é você encarar um arcade lotado às 4 da tarde em qualquer capital brasileira.



Meu primeiro contato com os arcades do centro, foi em um bar na Praça da Saudade. Quem tem mais de 25 anos deve lembrar que essa praça era reduto de mendigos, cheira colas e toda sorte de seres não necessariamente amigáveis que sempre que podiam te extorquiam ou simplesmente levavam seu rico dinheirinho. Mas isso era o de menos, visto que, quem estudou no centro sabe como driblar esses percalços com relativa facilidade. Pois bem, lá estava eu: quinta série, calças curtas (uniforme da escola que frequentava exigia isso), mochila das Tartarugas Ninja e 50 cruzeiros reais no bolso. Era a hora.

local do fliperama da Praça da Saudade

O supracitado bar possuía três maquinas:  Street Figther II (febre e obrigação de qualquer dono de birosca que quisesse ganhar dinheiro com arcade), Renegade (clássico do Beat n´ Up, quiçá primo mais velho de Double Dragon) e... PIT FIGTHER. Este ultimo foi a minha escolha, primeiro porque era de luta um contra um e segundo porque não tinha 6 botões (que eu achava na época muito complicado), apenas três.

Costumava a  jogar com o Ty e como noob de raiz, sempre apelava pro especial (UAAARRHHÁÁÁÁ! YEAH!) que era desferido ao apertar os três botoes ao mesmo tempo. Comecei a perceber que o ambiente não era lá muito familiar, quando presenciei várias porradas por fichas, jogadas erradas ou simplesmente alguém que não ia com a sua cara. Nunca gostei de confusão, então decidi procurar outra fliper na esperança de que lá fosse mais tranquilo. Ledo engano...

UAAARRRAAAHHHAAAA!!!

YEAAHHH!!!

Na época nem existia o hoje lendário "Videorama" da Getúlio Vargas, então as opções que eu tinha eram bem reduzidas e consistiam em: Arcade da Praça da Saudade (momentaneamente riscado do mapa), Arcade da Computec (ao lado do IEA), Arcades do Porto de Manaus (vários...) e... Mangueira Competições. 


Local do arcade da antiga Computec


Local dos arcades próximos ao Porto de Manaus


Local onde ficava o mítico Mangueira Competições

Aqui vale um parágrafo: O Mangueira Competições era como se fosse o high level da parada. Apenas os mais fodões e experientes se atreviam a jogar lá. Eram aproximadamente 15 maquinas, entre os clássicos de porrada da época, também tive contato com as famosas franquias da SNK: Fatal Fury, Art of Fighting, World Heroes e um pouco mais tarde, King of Figthers e com o divisor de águas da pancadaria virtual: Mortal Kombat. 

Todos que já jogaram Street II devem saber que quando se derrotam os 8 lutadores clássicos, no mapa aparecem os 4 chefões marcados, então, era assim que eu imaginava o mapa dos arcades mais fodas do centro.



Claro que haviam outros (como o do lado dos Correios que tinha maquinas de beat n´up por excelência como Golden Axe e Final Figth), mas estes que eu frequentava pouco, então não levava tanto em consideração.

Como disse no inicio do post, nessa minha ultima ida ao centro eu fui marcando mentalmente todos os locais míticos onde a pancadaria rolou solta nos anos 90. Tanto no virtual quanto no real. Quem nunca utilizou o artificio de utilizar uma ficha mais barata de outro arcade para jogar em um clássico? Ou utilizou o famigerado método da linha de papagaio e da tampinha de refri? Logicamente que estas gambis eram pra lá de proibidas e se porventura o dono do estabelecimento descobrisse, você poderia ser desde banido até espancado. Ou os dois.

Essa "terra sem lei", onde bandos se desafiavam diariamente, onde surgiam ases da noite para o dia (e eram bastante temidos), onde o cheiro de cigarro, suor e gritaria imperavam... não existe mais. Com a popularização das lan houses e das locadoras de videogame, que hoje em dia também já são historia, toda a cultura do arcade sumiu, ficando restrita somente a poucos nichos (geralmente elitizados) onde não existe mais a atmosfera selvagem de outrora. Eu sinceramente acho um pena. Mas como tudo sempre muda, então o lance é ver quais as vantagens de hoje e aproveitar.

Nesses ambientes além dos clássicos -><-/|\-> + A ou (block) || +(block) dos fighting games da vida, também aprendi a como me impor mediante situações adversas (lembrem-se que eu era uma criança) e como evitar confrontos desnecessários.

Alias, todo o centro hoje em dia é apenas sombra do que foi. Em outra ocasião vou falar do que aconteceu com os cinemas... Mas isso é outro papo.